mercoledì 19 novembre 2008

Artemundi va a Parigi

Otto mesi e già cammina. Nato nel marzo 2008, affrontando situazioni sempre nuove, il progetto Artemundi è arrivato perfino a Parigi. Da Rio de Janeiro a Parigi! Bisogna dire però che le sfide sono state molte. La prima è stata quella di andare incontro ad ogni singola donna che partecipa alle attività lavorative, visto che ognuna ha una particolare situazione di vita. La seconda sfida è stata quella di cercare di creare prodotti che possano essere accolti dal mercato mentre la terza è quella di trovare un circuito di vendita.

Il lavoro nel piccolo laboratorio consiste nell’inventare nuovi prodotti con materiale di riciclo (carta, vestiti di carnevale, tappi di lattina) o usare prodotti innovativi come pelle di pesce e tessuti ricavati dal reciclaggio delle bottiglie di plastica. I prodotti sono pensati per poter essere distribuiti in negozi locali o in fiere ma per adesso la vendita è stata resa possibile solo con l’aiuto di persone di passaggio alla “Casa di Maria” e con i contributi raccolti in alcuni mercatini in Italia.

Il nostro lavoro con le donne e le ragazze delle favelas limitrofe a Grajau mira alla ricerca di un indirizzo professionale e alla crescita personale per mezzo di diverse azioni. Il progetto ARTEMUNDI offre a giovani donne e ad alcune mamme uno spazio che favorisce il riconoscimento di una individualità dignitosa, propone una disponibilità a cambiare, a chiedere, ad ascoltare, a riflettere assieme al gruppo che quotidianamente si ritrova per momenti lavorativi con l’obiettivo di crescere insieme.

Ci focalizziamo innanzitutto sulla necessità che le donne abbiano un lavoro ma offriamo anche l’occasione di vivere in gruppo e stabilire buoni legami tra colleghi di lavoro, forniamo informazioni rispetto alle strutture sanitarie nel caso di gravi problemi familiari (un figlio o il marito che usa droga /alcool, violenza domestica…) e in certi casi, per chi è analfabeta, orientiamo al ritorno alla scuola serale per diventare qualificate. Con la mancanza di risorse e di prospettive economiche, la grande sfida sta nel riuscire a strutturare il lavoro in modo tale che queste giovani donne possano essere reintegrate nella vita sociale senza mettersi in situazioni di rischio. Il contesto sociale in cui vivono, infatti, è spesso pericoloso e degradato, con frequenti sparatorie in cui quasi sempre muoiono giovani innocenti; questo complica il lavoro di recupero sociale e porta talvolta all’abbandono delle iniziative che queste donne intraprendono.

L’obiettivo sta anche nell’educare la persona a pensare a sé stessa e ad agire secondo le proprie decisioni, cosa che normalmente non avviene nel contesto familiare. Per avviare le giovani donne verso un cambiamento e per disciplinare la partecipazione al gruppo ci serviamo di una serie di regole fisse che struttura la loro vita quotidiana. Sappiamo che i risultati nel formare al lavoro un gruppo di donne non arrivano in modo semplice, quindi cerchiamo anche di creare dinamiche per l’apprendimento quotidiano nel lavoro. Condividere le esperienze, le emozioni e le diverse storie di vita, offre un arricchimento ed un cambiamento di percezione nelle nostre vite; la determinazione e la forza d’animo che hanno queste donne nell’accudire i figli o nipoti in situazioni di rischio e disagio sociale sono per noi di esempio.

Nei primi 4 mesi del progetto Artemundi è stato sviluppato un corso di taglio e cucito per 14 donne per osservare e capire le potenzialità di ciascuna. Nei mesi di agosto e settembre abbiamo avuto la collaborazione di una stilista svizzera - Cornelia Bamert - e con lei abbiamo creato alcuni capi di abbigliamento e accessori come giacche ricavate da ombrelli, borse di carta e tappi di lattina, accessori e vestiti con cuoio di pesce.

Nei giorni 9-12 ottobre il progetto Artemundi ha partecipato ad una sfilata di moda etica all’Ethical Fashion Show a Parigi, che ci ha dato la possibilità di farci conoscere ad un pubblico più ampio. Redesign the World, la linea di moda creata da Cornelia ha unito tessuti prodotti da una cooperativa di donne della Thailandia e una del Mali e vestiti e accessori prodotti da Artemundi di Rio de Janeiro. È stato un momento magico, quasi da favola, con tanta allegria in un mondo di creatività. Ringraziamo la nostra amica stilista Cornelia Bamert e speriamo che i nostri prodotti abbiano successo.

(scritto da GIOVANNA BINOTTO)


Per vedere il video della sfilata :

http://www.dailymotion.com/video/x7715s_defile-redesign_creation




domenica 26 ottobre 2008

Chiedo scusa, articolo di Frei Betto sul mercato

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
www.adital.com.b


Peço desculpas

artigo de Frei Betto *


Estou gravemente enfermo. Gostaria de manifestar publicamente minhas escusas a todos que confiaram cegamente em mim. Acreditaram em meu suposto poder de multiplicar fortunas. Depositaram em minhas mãos o fruto de anos de trabalho, de economias familiares, o capital de seus empreendimentos.

Peço desculpas a quem assiste às suas economias evaporarem pelas chaminés virtuais das Bolsas de Valores, bem como àqueles que se encontram asfixiados pela inadimplência, os juros altos, a escassez de crédito, a proximidade da recessão.

Sei que nas últimas décadas extrapolei meus próprios limites. Arvorei-me em rei Midas, criei em torno de mim uma legião de devotos, como se eu tivesse poderes divinos. Meus apóstolos - os economistas neoliberais - saíram pelo mundo a apregoar que a saúde financeira dos países estaria tanto melhor quanto mais eles se ajoelhassem a meus pés.

Fiz governos e opinião pública acreditarem que o meu êxito seria proporcional à minha liberdade. Desatei-me das amarras da produção e do Estado, das leis e da moralidade. Reduzi todos os valores ao cassino global das Bolsas, transformei o crédito em produto de consumo, convenci parcela significativa da humanidade de que eu seria capaz de operar o milagre de fazer brotar dinheiro do próprio dinheiro, sem o lastro de bens e serviços.

Abracei a fé de que, frente às turbulências, eu seria capaz de me auto-regular, como ocorria à natureza antes de ter seu equilíbrio afetado pela ação predatória da chamada civilização. Tornei-me onipotente, supus-me onisciente, impus-me ao planeta como onipresente. Globalizei-me.

Passei a jamais fechar os olhos. Se a Bolsa de Tóquio silenciava à noite, lá estava eu eufórico na de São Paulo; se a de Nova York encerrava em baixa, eu me recompensava com a alta de Londres. Meu pregão em Wall Street fez de sua abertura uma liturgia televisionada para todo o orbe terrestre. Transformei-me na cornucópia de cuja boca muitos acreditavam que haveria sempre de jorrar riqueza fácil, imediata, abundante.

Peço desculpas por ter enganado a tantos em tão pouco tempo; em especial aos economistas que muito se esforçaram para tentar imunizar-me das influências do Estado. Sei que, agora, suas teorias derretem como suas ações, e o estado de depressão em que vivem se compara ao dos bancos e das grandes empresas.

Peço desculpas por induzir multidões a acolher, como santificadas, as palavras de meu sumo pontífice Alan Greenspan, que ocupou a sé financeira durante dezenove anos. Admito ter ele incorrido no pecado mortal de manter os juros baixos, inferiores ao índice da inflação, por longo período. Assim, estimulou milhões de usamericanos à busca de realizarem o sonho da casa própria. Obtiveram créditos, compraram imóveis e, devido ao aumento da demanda, elevei os preços e pressionei a inflação. Para contê-la, o governo subiu os juros... e a inadimplência se multiplicou como uma peste, minando a suposta solidez do sistema bancário.

Sofri um colapso. Os paradigmas que me sustentavam foram engolidos pela imprevisibilidade do buraco negro da falta de crédito. A fonte secou. Com as sandálias da humildade nos pés, rogo ao Estado que me proteja de uma morte vergonhosa. Não posso suportar a idéia de que eu, e não uma revolução de esquerda, sou o único responsável pela progressiva estatização do sistema financeiro. Não posso imaginar-me tutelado pelos governos, como nos países socialistas. Logo agora que os Bancos Centrais, uma instituição pública, ganhavam autonomia em relação aos governos que os criaram e tomavam assento na ceia de meus cardeais, o que vejo? Desmorona toda a cantilena de que fora de mim não há salvação.

Peço desculpas antecipadas pela quebradeira que se desencadeará neste mundo globalizado. Adeus ao crédito consignado! Os juros subirão na proporção da insegurança generalizada. Fechadas as torneiras do crédito, o consumidor se armará de cautelas e as empresas padecerão a sede de capital; obrigadas a reduzir a produção, farão o mesmo com o número de trabalhadores. Países exportadores, como o Brasil, verão menos clientes do outro lado do balcão; portanto, trarão menos dinheiro para dentro de seu caixa e precisarão repensar suas políticas econômicas.

Peço desculpas aos contribuintes dos países ricos que vêem seus impostos servirem de bóia de salvamento de bancos e financeiras, fortuna que deveria ser aplicada em direitos sociais, preservação ambiental e cultura.

Eu, o mercado, peço desculpas por haver cometido tantos pecados e, agora, transferir a vocês o ônus da penitência. Sei que sou cínico, perverso, ganancioso. Só me resta suplicar para que o Estado tenha piedade de mim.

Não ouso pedir perdão a Deus, cujo lugar almejei ocupar. Suponho que, a esta hora, Ele me olha lá de cima com aquele mesmo sorriso irônico com que presenciou a derrocada da torre de Babel.

[Autor de "Cartas da Prisão" (Agir), entre outros livros].

* Escritor e assessor de movimentos sociais


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sabato 25 ottobre 2008

Questo è il Blog della Associazione VIAMUNDI intercultura e cittadinanza di Rio de Janeiro. Qui racconteremo quello che accade in questo angolo del mondo latinoamericano, ospiteremo articoli in lingua originale, foto e tutto quello che può può far crescere la nostra passione per l'educazione interculturale .